Empreendedor, publicitário, palestrante e professor. Há 17 anos no mercado, fundador de diversas agências de marketing digital e propaganda, atualmente CEO na General Marketing.

Obsolescência Programada: por que você compra tanto?

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Você sabe o que é Obsolescência Programada? Claro que sabe! Lembra daquele guarda chuva que você acabou de comprar e já quebrou? Sabe aquele computador que já ficou ultrapassado? E então o celular que você comprou a pouco tempo e já parece estar fora de moda? Viu! Você sabe muito bem o que é Obsolescência Programada. Mas para reforçar o conceito, segue abaixo uma definição:

“Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido.” (Fonte: Wikipédia)

Na prática podemos dizer que Obsolescência Programada é um desrespeito com o consumidor, com o planeta e com a economia. Pois nos faz comprar o que não precisamos para alimentar uma pseudo economia sustentável. Não pense você que esse tema é algo novo. Não, não… é um estratégia que surgiu em 1920 e teve o seu estopim em 1929 – lembrou de algo? Sim, a crise de 1929 ou também conhecida como a Grande Depressão, foi o pior momento econômico de todo o século XX. E para “tapar” o buraco a Matrix (leia-se o sistema capitalista) teve a grande ideia de criar uma fórmula mágica para acabar com o desemprego e miséria. Alguém parou e pensou:

Se todos os produtos tivessem uma vida útil menor, logo as pessoas precisariam consumir mais. É sabido que o consumo gera emprego e emprego alimenta o crédito e faz a economia girar. 

E foi assim que tudo começou, uma medida que “salvou” a economia da época e que se tornou um problema para o planeta nos dias de hoje. Pense! Se você troca de celular uma vez por ano significa que você é um produtor de lixo tecnológico. Já ouviu aquele bordão “As coisas não duram mais como antigamente”? Pois então. Não duram mesmo, pois não foram feitas para durarem. Mas esse não é o único vilão, pois algumas coisas duram e nós que as descartamos. Hoje temos diversas formas de obsolescência, são elas:

Obsolescência Programada: é aquela onde o fabricante, bem sacana, desenvolve um produto para que quebre depois de um certo tempo de uso. Exemplos já comprovados: impressoras e lâmpadas (veja o documentário ao final do post).

• Obsolescência Percebida: essa tem como maior culpada a Propaganda. Pois, nesse caso, sentimos a necessidade de comprar um novo produto, mesmo que o nosso produto atual atenda a todas as nossas necessidades fundamentais. Esse é o caso dos smartphones onde o fabricantes inovam muito pouco e fazem barulho na mídia reinventando a roda.

 • Obsolescência Funcional: essa aqui pode ser legítima ou induzida. Ou seja, é legítima quando uma tecnologia é descoberta e você decide por comprar um produto mais moderno. E julgo induzida para o caso dos computadores que avançam de forma que as peças novas não sejam compatíveis com as antigas e você tenha sempre que comprar um computador novo.

Conclusão: esse sistema é falho pois nos induz ao consumismo exacerbado e contribui para criarmos lixo tecnológico, tóxico e de todos os tipos. Esse problema já é bem grave em países da África, que recebem pilhas de lixo diariamente. É um caso típico de empurrar a sujeira para debaixo do tapete.  Por isso, faço um apelo a você leitor. Pense bem antes de sair comprando produtos por modismo. Tenha discernimento na hora de comprar e privilegie empresas que fabricam produtos duráveis (pesquise avaliações de usuários no Google, nada melhor do que a opinião de quem já utilizou o produto). Seja consciente pois se você alimentar esse sistema além de o planeta ser prejudicado você terá que ficar gastando a sua grana comprando produtos novos sempre. E não é nenhum segredo que os fabricantes, muitas vezes, já possuem uma tecnologia nova, porém esperam a gente comprar a velha para depois lançar a nova e a gente comprar de novo.

Sinta-se em casa para discutir o tema abaixo nos comentários!

Coloco abaixo dois documentários sobre o assunto que eu recomendo:

Diego Brito

Empreendedor, publicitário, palestrante e professor. Há 17 anos no mercado, fundador de diversas agências de marketing digital e propaganda, atualmente CEO na General Marketing.

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12 Comments
  • Frederico Alexandre Sivert Koch
    24 de julho de 2016 at 13:50

    Pois é, amigo. Exemplificando o caso do espanhol. Eu estava desenvolvendo na faculdade um carregador de bateria WiFi, sem fonte externa, com baixo custo e sem a tal obsolência programada, pq senão não seria viável p o consumidor ter a despesa do aparelho e depois ter q trocá-lo. Me desanimaram justamente nesse ponto, pq não teria comércio, uma vez q era de fácil construção e quem comprasse um, não compraria o outro, e o negócio não se sustentaria. Seria o tipo de projeto open source apenas, daqueles de colocar em blogs e sem retorno financeiro que cobrissem os custos de P&D.

    Responder
  • Diego Brito
    11 de janeiro de 2013 at 0:36

    Obrigado pela observação, já corrigi 😉

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  • Renata P Gonçalves
    20 de dezembro de 2012 at 16:48

    Corrigindo um erro meu >>> *intenção
    =)

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  • Erick Silva
    20 de novembro de 2012 at 11:43

    Cara, muito bom seu post, afinal, me interessei por esse tema. E acabei chegando à conclusão de que a própria sociedade, além de vítima, é aliada da obsolescência. Um exemplo, é que o primeiro documentário que você mostra foi exibido em sala de aula, e no dia seguinte, uma amiga (que assistiu ao documentário também) aparece pra mim e diz: “Comprei um computador novo, a diferença dele é que tem um núcleo a mais”. Eu nem me dei o trabalho de perguntar o que ela fez com o antigo, e eu queria saber se você tem alguma solução pra poder conscientizar esse tipo de pessoa sem um certo censo crítico sobre esse assunto…

    Responder
    • Diego Brito
      11 de janeiro de 2013 at 0:44

      Obrigado, Erick! Acho que a melhor forma de você ajudar sua amiga é conversando e tentar mostrar a ela essas armadilhas que estão por trás do consumo. Acredito que com doses homeopáticas e perseverança você pode conseguir conscientizá-la e sensibilizá-la da importância de refletirmos sobre esse tema nos dias de hoje, pois além de fazer bem para a mente faz mais bem ainda para o próprio bolso.

      Responder
  • Julio Maia
    19 de maio de 2012 at 23:25

    Diego gostei muito do seu post, e gostaria de uma sugestão,estou fazendo um trabalho escolar em que se trata justamente desse assunto, porém me encontro em um paradigma em que em outras reportagens vejo a necessidade do consumismo para que faça o mercado girar e não haja assim desemprego e tal. Como você mesmo fala sobre a crise de 1929. Se você puder me dar uma ajuda sobre essa questão seria muito bom.

    Responder
    • Diego Brito
      31 de maio de 2012 at 16:39

      Obrigado pelo comentário, tenho certeza que muita gente tem essa mesma dúvida. Eu acho que podemos fazer a economia girar e ao mesmo tempo sermos mais sustentáveis. O que ocorre é que por conta de um marketing agressivo as marcas começaram a priorizar demais a embalagem ao invés dos produtos. Eu acho que muito do que compramos hoje no mercado poderia ser vendido a granel, com isso o impacto ambiental já seria bem reduzido. Também acho que deveria ser pensado em uma forma mais inteligente para o upgrade de smartphones e computadores, algo onde pudéssemos preservar a carcaça e fazer pequenas mudanças de hardware e software. Mas com certeza para isso entrar em prática é necessário muita vontade política e a sociedade precisa clamar por isso. Pois com certeza entraríamos numa era onde a concorrência não mais estaria centrada no marketing mas sim no produto, como era no passado.

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  • Diego Brito
    14 de maio de 2012 at 20:33

    Oi João, obrigado pelo seu comentário. Realmente o consumismo desenfreado nos dá uma falsa sensação de felicidade e satisfação. Esses documentários são bem legais, você mencionou um desejo, qual seria? Eu não acompanho sites específicos sobre esse tema, mas certamente essa é uma pauta presente em vários veículos. Pois o planeta não aguenta mais tanto descaso.

    Um abraço,

    Responder
  • joão bosco de bauru
    28 de abril de 2012 at 20:05

    Assisti recentemente os dois documentários acima.
    Aquele ditado “será que precisa desenhar?” Então veio o desenho animado sobre o tema. Super esclarecedor.

    Para mim cada um daqueles produtos expostos em mercados, lojas, etc representam um CARTÃO SUBLIMINAR ONDE ESTÁ ESCRITO “COMPRE E SEJA FELIZ”

    Agora entendo que para o esquema manipulador, pouco importa porque compramos. Para eles comprar; e comprar; e comprandar… é o que importa.

    Ótimo e objetivo o Blog. Se souber de outros sites sobre o tema
    Valew

    Responder
    • Deflorar
      20 de abril de 2017 at 7:28
      Your comment is awaiting moderation.

      Havia um filme com esse tema: as pessoas viviam numa realidade virtual onde tinham experiência da realidade a partir de coisas escritas no papelão. Não lembro o nome do filme. Achei esse post interessante no quesito “mensagem subliminar”: post falando sobre beleza e mensagens subliminares

      Responder
  • Juliana Higa
    3 de abril de 2012 at 21:21

    Olá Diego,

    bem legal seu post, nem sabia que existia tantos tipos de obsolescência!
    Acho que também cabe a discussão a respeito da raiz do problema, não basta a reflexão sobre nossos hábitos de consumo quando no mercado só há produtos com esta merda de obsolescência.
    Passa também por um questionamento de falta de ética e moral das empresas que, além de lucrarem exorbitantemente com isso, sobretudo ainda vendem o slogan da sustentabilidade.
    A sustentabilidade é bem mais do que a presença de algumas ações ou a soma delas, é um todo, um conjunto impossível de ser alcançado dentro do sistema capitalista.
    Escrevi um post no meu blog: na-beirada.blogspot, sobre isso também, com essa discussão ai.
    Valeu!

    Responder
    • Diego Brito
      9 de abril de 2012 at 17:38

      Olá, Juliana. Primeiramente, obrigado pelo seu comentário. Eu acessei o seu blog e dei uma lida no post “Responsabilidade no consumo”, achei bem interessante, parabéns. Eu sou um publicitário com consciência de consumo e gosto bastante de ler a respeito. Me adiciona no Facebook e no Twitter, para que a gente possa trocar ideias.

      Responder
  • Diego Brito
    12 de março de 2012 at 19:18

    Muito Legal!

    Responder

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